terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Free as a bird
Guardei dele um momento muito concreto que visito sempre que tenho saudades. Em cima de uma bicicleta, demasiadamente pequena para os seus metro e noventa e qualquer coisa, a cantar esta canção. O sorriso enorme. Do tamanho do mundo. Seria talvez o segundo dia de um novo ano. A passagem de ano tinha sido intensa, há vários dias que festejávamos. Mas a festa tinha chegado ao fim, a maioria já tinha rumado a Lisboa, deixando uma meia dúzia de nós a gozar tranquilamente aquele último dia no campo. Estava um dia lindo, o sol brilhava e aquecia-nos os corpos cansados de tanta farra. Tínhamos um ano novo para gozar e a ideia subliminar de que éramos imortais, de que estaríamos sempre juntos.
Depois surgem-me flashes de outros momentos. Sempre o sorriso do tamanho do mundo. Ao anunciar que estava finalmente apaixonado, ou quando nos disse que ia ser pai. Foi o primeiro de todos nós a dar esse passo gigante. Começar uma família. Na altura, para mim pelo menos, tudo isso era ainda uma miragem. Lá longe...
A distância entre os nossos estilos de vida aumentava mas a amizade permaneceu intacta e estendeu-se à família que construía. Esteve sempre lá, sem julgamentos nem falsas moralidades. Aceitava os outros e a vida com uma naturalidade invejável. Uma pessoa simples, naquilo que a simplicidade tem de mais maravilhoso.
E inevitavelmente chego ao dia em que o telefone tocou e uma voz embargada do outro lado anunciou que ele tinha morrido. Assim, sem mais nem menos. Os dias seguintes foram como um pesadelo do qual nenhum de nós conseguia sair. Mais uma vez nos encontrávamos perante a morte e seus desígnios indecifráveis e avassaladores. Mais uma vez caminhávamos juntos e em silêncio pelo cemitério para nos despedirmos de um amigo. Da última vez, apenas um ano antes, havia percorrido o mesmo caminho de mão dada com aquele que agora tinha, infelizmente, o papel principal. Algures pelo caminho aquele momento surgiu na minha cabeça. A canção, a bicicleta, o sorriso do tamanho do mundo. Nada que pudesse aliviar aquela realidade cruel mas, de alguma forma, guardei-o ali. E é lá que regresso sempre que preciso.
A frase que dá início ao vídeo diz - " The dream is not over". Acredito que sim. Que o sonho vive, apesar dos pesares. E creio ser nossa obrigação, dos que ainda andam por cá, trocar sorrisos do tamanho do mundo. Sempre que possível, por tudo ou por nada.
Free As A Bird
Lennon/McCartney/Harrison/Starkey
Free as a bird,
it's the next best thing to be.
Free as a bird.
Home, home and dry,
like a homing bird I'll fly
as a bird on wings.
Whatever happened to
the life that we once knew?
Can we really live without each other?
Where did we lose the touch
that seemed to mean so much?
It always made me feel so...
Free as a bird,
like the next best thing to be.
Free as a bird.
Home, home and dry,
like a homing bird I'll fly
as a bird on wings.
Whatever happened to
the life that we once knew?
Always made me feel so free.
Free as a bird.
It's the next best thing to be.
Free as a bird.
Free as a bird.
Free as a bird.
PS - Feliz Ano Novo para todos, cheio de música e sorrisos!
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Rock Foleiro
No outro dia ouvi o Nuno Markl dizer uma coisa maravilhosa com a qual me identifiquei imediatamente. Foi qualquer coisa como: " Nada como rock foleiro para começar o dia bem disposto". Concordo em absoluto. Aliás, não só para começar o dia mas para várias situações. Tomar banho, conduzir, e, a minha preferida, para limpezas e arrumações. Nada com uma boa selecção de rock foleiro para ganhar ânimo e realizar alegremente qualquer tarefa, por mais chata que seja.
Penso que haverá muito mais gente a pensar assim. Talvez poucas pessoas o admitam, uma vez que os gostos musicais são tidos como importantes indicadores de personalidade. Hipocrisias e pressões sociais...
Bom, deixo-vos com uma das rockalhadas foleiras que mais gosto, "Don't stop believing" dos Journey. Excelente para limpezas, com a vantagem de ter passado tanto nas discos quando eu era miúda que me traz sempre imensas recordações !
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Grande Momento
Intro
Ontem um amigo muito especial chamou-me a atenção para o facto da Juke ainda não ter Pearl Jam. Banda incontornável para muitos, essencial para mim. Os dois primeiros álbuns foram autênticas bíblias musicais, talvez os dois álbuns que mais vezes ouvi em toda a minha vida. E aí reside a dificuldade. As regras querem inverter-se. Porque a música de que falo acompanhou-me, durante tanto tempo, e de forma tão intensa, que me é difícil liga-la a momentos concretos (onde é que eu já ouvi isto?). Depois de alguma reflexão, resolvi tentar a sorte. Este será, provavelmente, o primeiro de muitos posts musicados pelos Peal Jam. Afinal, temos que começar por algum lado. E normalmente, o melhor é começar pelo princípio.
Tinha acabado de entrar para a faculdade. O "Ten" era o meu melhor amigo. O discman, último presente que recebi do meu pai, rodava 24 sobre 24 o tal álbum. Da tal banda. Que fazia parte do tal movimento. Que estava a mudar a música, que nos estava a mudar a todos. Ou talvez não. Talvez o dito movimento apenas tivesse chegado numa boa hora e se cumprisse ao dar voz, ritmo e melodia aquilo que todos sentíamos. O fim da inocência, o confronto inevitável com o real. Eu, pessoalmente, não ouvia mais nada, não sentia mais nada. Dormia de phones, o álbum em repeat tocava toda a noite. Para que não ouvisse mais nada.
O ambiente académico foi uma desilusão imediata, começando pelas estupidificantes praxes e afins. Os professores eram velhos, a matéria desactualizada.
E as aulas começavam tão cedo...
Mas para cada Inferno colectivo existe um Paraíso individual, e eu encontrei o meu logo no primeiro dia de aulas. Olhei para ela e senti. Respirei fundo e tranquilizei-me. Não estava só. Não éramos iguais, nem por sombras. Tínhamos o mesmo olhar, "apenas" isso. O desespero era tanto que não tivemos qualquer pudor em admitir que nos tínhamos reconhecido logo ali. Metemos conversa, desistimos da apresentação de uma qualquer cadeira e fomos para o café. Nunca mais nos largámos.
Entre muitas outras coisas, partilhamos o "Ten". Vezes infinitas. Fazíamos teses e tratados para cada um dos temas, ou "limitavamo-nos" a ouvi-los em silêncio.
Pelo meio o estudo. Que agora já tinha que ser. De facto. Era necessário estudar, por pouco que fosse. Ou nada feito. Não nos demos mal...
É aqui que me encontrei naquele momento. No momento do "Ten". Que foram, pelos menos, dois anos...
O fim definitivo da inocência, o principio de uma nova etapa, o encontro com uma amizade eterna.
Grande álbum.
Grande momento...
PS - a escolha do vídeo e da canção foi a possível. Os primeiros vídeos oficiais do "Ten" no youtube, não dão para copiar...
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Músicas da Rádio IV - O cabaret da coxa
Na sala de partos estavam quase 40º graus. A parteira suava tanto como eu. Ao meu lado, a menina de quinze anos já tinha parido o seu bebé, mas os seus gritos abafados permaneciam nos meus ouvidos como uma promessa de sofrimento.
Vai doer ainda mais????!!!
O parto não estava a ser fácil e há muito tempo que tinha perdido o controle. Pela dor, pelo medo, pela enorme angústia de nos ver (a mim e ao bebé) entregues, em total e assumida fragilidade, aquele ambiente estranho e desumanizado. E digo desumanizado não pela ausência de seres humanos, que este meu primeiro parto, segundo palavras da própria parteira,"parecia o cabaret da coxa!". A parteira, duas médicas, duas enfermeiras,um pediatra, uma tia avó parteira reformada e o meu homem. Deste magnífico corpo de baile de touca e bata, só o meu homem e a parteira contrariavam a realidade desumana e caótica. Com a calma possível e sempre pela positiva, tentavam que eu me concentrasse. A famosa epidural não tinha produzido qualquer efeito e as dores trespassavam-me como facas. E toda aquela gente de um lado para o outro gritando-me ordens desconexas e absurdas: "Cala-te!" - gritava a tia avó parteira, "faça força como se estivesse a fazer cocó" - dizia uma das médicas, "já se vê a cabeça lá ao fundo!" - gritava o pediatra encostado à parede de braços cruzados como se estivesse a assistir a um espectáculo qualquer.
"Olhe só para mim, oiça-me só a mim" - implorava a parteira com as gotas de suor a descerem-lhe pela face. "Já não consigo, já não posso mais...". Sentia as forças desaparecerem e não conseguia respirar porque uma das enfermeiras se tinha deitado por cima da minha barriga para empurrar a bebé para baixo. Lia na cara da parteira e do meu homem sinais de preocupação e o meu pânico aumentava. "Não vou conseguir, não vou conseguir...".
Havia um pequeno rádio na sala de partos. Acho que estava sintonizado na RFM, o que poderia ser uma verdadeira catástrofe noutro contexto. Ali, qualquer estação, qualquer tipo de música era por si só positivo. Não me lembro do momento exacto, mas esta canção soou pela sala. "Bring me to life"... nem de propósito!
Pouco tempo depois, sempre fixada na parteira e no meu homem a seu lado, acatei a ordem de fazer toda a força possível. "Ela vem aí! Tem o cabelo preto!" - dizia o meu homem emocionado. Fiz ainda mais força e a minha primeira filha saiu para o mundo. Quase não chorou. A parteira segurava-a nas mãos e levantou os braços para que a pudesse ver. Ainda ligada a mim pelo cordão. Uma bebé perfeita, linda e estranhamente tranquila. Primeiro o alívio, depois a indescritível emoção. Ria e chorava ao mesmo tempo e só conseguia repetir baixinho - "a nossa filha... que linda, que linda...".
Os milagres acontecem, realmente. Em qualquer sítio. Até em cabarets da coxa...
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
O poder da música
Este vídeo absolutamente delicioso foi produzido pelo movimento Playing for Change. Sempre acreditei no poder da música para mudar o mundo. Aqui está um exemplo disso.
Mais info em www.playingforchange.com
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Master!
Heavy Metal. Se tivesse que eleger uma música, apenas uma, seria esta. Master of Puppets. Lembro-me da primeira vez que a ouvi, em vinil, num dos famosos quartos já aqui descritos. Lembro-me da primeira vez que a ouvi ao vivo, no estádio de Alvalade, primeiro concerto de Metallica em Portugal. Um concerto histórico, um dia histórico. Os metálicos portugueses, lágrimas nos olhos, após dez anos de espera, rendiam-se ao profissionalismo emotivo da banda. E a banda rendia-se à histeria colectiva que os abraçava. O melhor concerto que vi até hoje.
Lembro-me do fantástico e saudoso Johnny Guitar, à pinha, numa nuvem de cabelos ondulantes e de vozes repetindo - "Master, Master". Lembro-me do meu pai passar pelo quarto e pedir - "Põe lá isso do princípio... Hummmmm, este tipos são mesmo bons. Até que enfim começaste a ouvir música a sério!".
E fico sem palavras. O poder do som atravessa-me, como da primeira vez.
Curiosamente, a letra é altamente pedagógica. Sem sombra de moralismo, dá-nos nua e crua, a realidade das dependências. O que só é inesperado para quem não conhece Metallica. Para mim, até hoje, continuam a ser a melhor banda do mundo.
Metallica!
End of passion play, crumbling away
I'm your source of self-destruction
Veins that pump with fear
Sucking darkest clear
Leading on your death's construction
Taste me you will see
More is all you need
You’re dedicated to
How I'm killing you
Come crawling faster
Obey your Master
Your life burns faster
Obey your Master
Master
Master of Puppets
I'm pulling your strings
Twisting your mind and smashing your dreams
Blinded by me, you can't see a thing
Just call my name, ‘cause I'll hear you scream
Master
Master
Just call my name, ‘cause I'll hear you scream
Master
Master
Needlework the way, never you betray
Life of death becoming clearer
Pain monopoly, ritual misery
Chop your breakfast on a mirror
Master
Master
Where’s the dream that I've been after?
Master
Master
You promised only lies
Laughter
Laughter
All I hear and see is laughter
Laughter
Laughter
Laughing at my cries
Hell is worth all that, natural habitat
Just a rhyme without a reason
Never ending maze
Drift on numbered days
Now your life is out of season
I will occupy
I will help you die
I will run through you
Now I rule you too
Dance, dance, dance!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Estava grávida pela segunda vez quando esta canção invadiu a rádio. Adoro o David Fonseca, desde os tempos dos Silence 4, mas este tema é, sem dúvida alguma, o meu preferido. Lembro-me de dançar até à exaustão com a minha filha mais velha pela mão e a mais pequena aos pulos dentro de mim. É-me completamente impossível ficar quieta ao ouvi-la. Foi eleita por mim a canção da descompressão. Quando tudo corre mal, é só pô-la a tocar o mais alto possível e dançar, dançar, dançar. As míudas seguem o exemplo e pulam, pulam, pulam. Tudo isto acontece normalmente na nossa cozinha, tantas vezes transformada em pista de dança. Tal como na letra, os meus dias de rainha da discoteca já lá vão. Agora improvisam-se outras pistas e outras danças. Irrelevante, o importante é continuar a dançar "like you were sixteen". O corpo e a mente agradecem, mesmo. Experimentem!
You saw me sitting in the corner
And you just sat there right next to me
You asked me - "are you feeling lonely?" -
Well lonleliness is just a word, you see
I came in here just for the music
For all the things that it makes me feel
I came to exorcise my demons
To bury those days when only pain was real
Treat me right
My dreams will come true tonight
Come with me
Set me free
We'll be alright
I should have met you in the 80's
Back when I was the dance floor queen
Maybe you think that I'm too old for dancing
You should have met when I was sixteen
Dance! You know what I mean
Dance! Like you were sixteen
Hey! Hey! Hey!
Tonight I'm drinking myself sober
'Till I see what I want to see
A few more drinks and you'll be the perfect lover
You will be the one that I truly believe
That is right
My dreams will come true tonight
Come with me
Set me free
We'll be alright
I should have met you in the 80's
Back when I was the dance floor queen
Maybe you think that I'm too old for dancing
You should have met me when I was sixteen
Dance! Like I was sixteen
Dance! You know what I mean
Hey! Hey! Hey!
I should have met you in the 80's
Back when I was the dance floor queen
Maybe you think that I'm too old for dancing
You should have met me, I should have kissed you
I should have kissed you in the 80's
Back when I was young and free
Maybe you think that I'm too old for loving
Tonight I'll make love me
Dance! Like you were sixteen
Dance! You know what I mean
Dance! Like you were sixteen
Dance! You know what I mean
Dance! I will set me free
Dance! Like I was sixteen
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