Mostrando postagens com marcador caracóis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador caracóis. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Caracóis em headbanging
A cabeça cheia de caracóis que pareciam ter vida própria, o corpo de aparência frágil, o cigarro a bailar nos dedos, apesar da asma que volta e meia lá lhe pregava um susto. Imparável nas graças, nas palhaçadas, nas partidas que não poupavam nada nem ninguém. Na escola (e em todos os outros sítios), não havia meio termo: ou o amavam incondicionalmente ou nutriam por ele um ódio profundo. Eu amei-o desde o primeiro dia. Crescemos juntos, amigos inseparáveis, num enamoramento constante de avanços e recuos.
As noites passadas no teatro, a espreitar camarins, a pisar palcos vazios, a assistir vezes sem conta à mesma peça até saber de cor as deixas de cada um. As escapadelas para as escadarias interiores ou para o terraço, locais secretos para encontros secretos...
Os dias passados em Cascais, entre partidas telefónicas e concertos dos Guns n' Roses em vídeo. As idas ao News, onde nos esforçávamos por estragar os engates um ao outro, talvez o nosso jogo preferido. As tardes na casa para os lados da Avenida, a fazer trabalhos para a escola que saíam sempre melhor depois de pequenos furtos aos cigarros e ao whisky que por ali encontrávamos.
Com ele a vida era uma fonte constante de experimentação e diversão. Um grande teatro onde tudo era matéria de riso, de provocação. Sempre um gentleman, rodeava as amigas de pequenas atenções e mimos. Gravou-me muitas cassetes, daquelas com "passagens especiais de corrida". Sofreu de adicção aos AC/DC durante uns anos e as ditas cassetes não me deixam mentir. Esta foi sempre a minha música preferida deles e ainda hoje ao ouvi-la me lembrei daqueles caracóis em "headbanging"...
Assinar:
Postagens (Atom)
