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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

E porque jukeboxes há muitas... Otherside

E porque jukeboxes há muitas (tantas como os "othersides" das nossas vidas), deixo-vos com Otherside.



Esta música marcou um período de renovação. Não uma renovação, mas o início dela. A viagem de um lado para outro lado. Depois de 5 anos em curva descedente quase até ao ponto que para continuar... pior não podia ser. Ou assim se poderia ou deveria pensar. Uma vez chegado ao fundo de um poço, tudo parece perdido. Acordas de repente nu. Despido, fraco, susceptível. Andaste anos perdido no “infinito” do que tu és. Não do que tu és, mas de uma das perspectivas do que poderias ser. O processo descendente só por si já é bastante introspectivo. Quando chegas ao ponto de não teres nada, viras-te para ti. Em sofrimento acaba-se o processo nos constantes porquês e já bastas. Para quem consegue acabar...
O meu processo teve uma fase vivida a dois. Poderia-se pensar que foi uma coisa horrível. Mas não. Foi difícil, complicado. Turbulento, violento. Mas foi também cheio de amor e boas emoções. De auto-conhecimento e cumplicidades. Proteccionismos, tomar conta, salvaguardar. Foi um processo diferente. Foi o meu processo. Pode-se pensar que falo disto olhando para trás. Com outros olhos. Mas não o meu amor por essa pessoa, sempre se manteve. Não esmoreceu. Antes pelo contrário, cresceu. Transformou-se, engrandeceu!
Quando cheguei ao cimo do poço era tudo novo. The new “Otherside”. Que magnífica oportunidade, poder começar de novo. Já pensaram? Poderem-se reconstruir, praticamente do zero? Olhando para trás, foi isso que eu fiz. Poderia ter sido um processo mais rápido tivesse eu a consciência plena dessa oportunidade que me foi concedida. Demorou o tempo que teve que demorar, com as pequenas vicissitudes e grandes vantagens que trouxe.
“The Otherside”, o meu “Otherside”. O nosso” Otherside”.
Há muito mais do que se possa pensar ou ver! Nunca mais acaba é o infinito. E o melhor de tudo é re-encontrar essa pessoa em todos os “Othersides” pelos quais vou entrando. Abençoem o vosso caminho, percebam a razão das coisas. Percebam que o “MAL” afinal só vos fez BEM! The otherside é tudo. E tudo está ao nosso alcance. Ao sonho da Vida! Às verdadeiras amizades, que felizmente tenho muitas. Ao saber dar e mais importante que tudo, saber receber.
Este post é dedicado a ti. Por que agora tudo faz sentido. Pela amiga eterna, pela mãe, esposa e MULHER que hoje és. Pelo amor que foi antes, durante e que hoje continua em crescendo. UM SER DE LUZ!!

P.S.- Punha aqui várias músicas do álbum!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

E porque jukeboxes há muitas... Capitão Romance



Quando a Cat me pediu para fazer um post neste blog, e sugeriu o nome Ornatos, senti uma identificação imediata com o tema. Por vários motivos... Porque os Ornatos são uma das minhas bandas favoritas. Porque foi através da Catarina que eu comecei a prestar mais atenção a esta banda do Porto.

Tenho muitas referências da música dos Ornatos, mas há uma que me vem automaticamente à cabeça...
Verão de 2002, os Sons de Cá estavam num momento alto da sua carreira com a formação da altura, na qual eu era guitarrista. Pela mão de um certo produtor fomos parar ao palco Optimus do Festival Vilar de Mouros. Para nós era uma oportunidade única... Uma energia enorme corria-nos nas veias, fruto de um sonho que ia rompendo pela realidade.
Lembro-me de um grande concerto e de sairmos com a sensação de que tínhamos dado mais um sólido passo na concretização dos nossos sonhos... Depois do concerto vagueámos juntos, ébrios de emoção... Lembro-me de um vinho verde, que saboreámos como se nunca tivéssemos provado nada assim. Durante esses momentos, no Palco principal, rodava um dos melhores álbuns de sempre da música portuguesa.
Comemos, bebemos, rimos e ligamo-nos ao som daquele disco.
Momento especial, música especial.
Lembro-me especialmente de ter sentido este tema.
... Algum tempo depois, tive o prazer de conhecer e tocar com o Elísio Donas, e de lhe dizer que, por estas e outras histórias, a música deles já não era só deles, mas que me pertencia a mim e a muitos outros (acho que ele gostou de ouvir...).

Pedro

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

E porque jukeboxes há muitas... I Know



Dizer que a música aproxima as pessoas é um lugar-comum. Mas nem por isso deixa de ser verdade...
Há um poema de Saint-Exupéry que gostamos particularmente e que não nos cansamos de ler, citar ou invocar. E fazemo-lo agora, porque ali aparece escrito que cada um que passa na nossa vida “Leva um pouco de nós e deixa-nos um pouco de si”. E fazemo-lo porque não podia ser mais verdadeiro e adequado.
Esta amizade começou pela descoberta de sermos ambos "drunfas", utilizando aqui uma expressão da autora deste blog. Um gosto comum encontrado por mero acaso, como quando tropeçamos inadvertidamente em algo, que nos faz parar, voltar atrás, olhar e perceber onde foi. E descobrimos isso pela Fiona Apple. O passo seguinte foi trocar os álbuns, até termos ambos a "caderneta completa". Seguiu-se a partilha de outras músicas, outros grupos, outros Duendes... E assim se foi fazendo a banda sonora desta amizade que temos vindo a descobrir e a construir, faixa a faixa, onde cada um vai guardando um pouco do outro e oferendo um pouco de si. E com esta troca, a partilha de pedaços da vida de cada um. E por isso se diz que a música aproxima as pessoas.
Quando partilhamos músicas, sobretudo aquelas que para nós são especiais, estamos a dividir com alguém algo mais do que a mera sonoridade: estamos a trocar alegrias, tristezas, histórias, formas de pensar… Afinal, nós próprios. Quase como se disséssemos: diz-me o que ouves, dir-te-ei quem és! Ou diz-me o que ouves, diz-me quem és!
Meses mais tarde, e muita música partilhada, descobrimos ser esta a nossa música preferida da Fiona. Aqui fica, numa versão emotiva. Drunfa! Não poderia ser outra.


I Know

So be it, I'm your crowbar
If that's what I am so far
Until you get out of this mess
And I will pretend
That I don't know of your sins
Until you are ready to confess
But all the time, all the time
I'll know, I'll know

And you can use my skin
To bury secrets in
And I will settle you down
And at my own suggestion
I will ask no questions
While I do my thing in the background
But all the time, all the time
I'll know, I'll know

Baby, I can't help you out while she's still around
So for the time being, I'm being patient
And amidst this bitterness
If you'll just consider this
Even if it don't make sense all the time, give it time
And when the crowd becomes your burden
And you've early closed your curtains
I'll wait by the backstage door
While you try to find the lines to speak your mind
And pry it open, hoping for an encore
And if it gets too late for me to wait
For you to find you love me, and tell me so
It's ok, don't need to say it


El B e LP – Duo Drunfo

terça-feira, 11 de novembro de 2008

E porque jukeboxes há muitas... A Mula da Cooperativa



Eu quando era miúda tinha dois irmãos. Volta não volta, partíamos com o meu pai numas prospecções ao Portugal profundo. Não havia auto-estradas, mas havia espaço à vontade na Toyota Hiace para aguentar as longas horas de viagem. Também não havia a mania dos cintos de segurança, de modo que ocupávamos o tempo a correr dentro da carrinha, a fazer caretas e coisas várias pelas janelas, ou a esmagar o irmão mais próximo contra o banco mais próximo. Também se cantavam umas músicas e a da Mula da Cooperativa tornou-se um clássico.

Inês

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

E porque jukeboxes há muitas... Dumb

Intro
Dizia eu que a Cat’s Jukebox tem permitido que rebusque a minha Jukebox. Que oiço as músicas e que as sinto da mesma maneira, que me transportam aos mesmos locais, que me trazem os mesmos cheiros e as mesmas emoções… mas oiço-as com ouvidos de ouvir…Ouvidos mais atentos. Ou outros ouvidos. (o pessoal envelhece e vai ganhando cera…)
Foi difícil escolher aquela que queria entregar a esta Jukebox. Mas cá vai com a certeza de ter tomado a melhor opção.



NIRVANA, “DUMB”

O tempo de não querer ser como ninguém. Ser Especial e Único. Ser EU.
O tempo de arriscar, de andar no limbo, “border line”…
Diversão acima de tudo. Copos, fumos… e o que mais houvesse.
Agora sinto saudade dessa sensação de carpe diem.
Hoje, quando oiço qualquer música dos Nirvana, e em especial este tema, fico naquela onda. Com vontade do mesmo. Da mesma irreverência e da mesma atitude. Do mesmo êxtase. Fico com vontade da felicidade e da ressaca curtida em grupo.
Noite na Av. Luísa Tody… nos banquinhos que já lá não estão e nos bares que já não existem. Em 1993/1994 passava largas noites ali. Íamos aos bares apenas para apanhar a cerveja e voltávamos ao banquinho na Avenida. A maralha ficava reunida em grupo. Cada um curtia as suas e todos curtíamos as dos outros. Era (e é) um grupo de cerca de 10 rapazes. E as conversas giravam em torno do costume, para quem tem 15 ou 16 anos: mulheres, futebol, drogas e (alguma) música…como esta.

Agora que penso nisso as conversas ainda andam à volta do mesmo!

Ass. Fumante (www.movimentoprofumo.blogspot.com)

I'm not like them
But I can pretend
The sun is gone
But I have a light
The day is done
But I'm having fun

I think I'm dumb
or maybe just happy
Think I'm just happy
my heart is broke
But I have some glue
help me inhale
And mend it with you
We'll float around
And hang out on clouds
Then we'll come down
And I have a hangover...Have a hangover

Skin the sun
Fall asleep
Wish away
The soul is cheap
Lesson learned
Wish me luck
Soothe the burn
Wake me up

I'm not like them
But I can pretend
The sun is gone
But I have a light
The day is done
But I'm having fun

terça-feira, 4 de novembro de 2008

E porque jukeboxes há muitas... Maria Albertina

Intro
E porque jukeboxes há muitas, mais uma amiga aceitou o desafio (de tão fartinha que estava deste blog não ter música de jeito!). Assim, deixo-vos com a jukebox da LP e a já mundialmente conhecida...

Maria Albertina




Corria o ano de dois mil e quatro. Estava numa reunião, numa sala que não era a minha. A porta abre-se e a cabeça ruiva da Sãozinha a espreitar: "Posso interromper? É para apresentar uma colega nova... Antropóloga." Antropologia... Que interessante! A colega nova, ainda não a conhecia, mas já tinha créditos na minha consideração. Lembro-me de ter achado piada o facto de uma antropóloga vir trabalhar com os Imigras, ela própria com ar de ter acabado de chegar do Oriente.
Nos tempos que se seguiram, os nossos caminhos foram-se cruzando aqui e ali, as nossas áreas de trabalho a tocarem-se. Lembro-me de certa vez lhe ter perguntado afinal o que é isso de "etnias" e "culturas"? Soltou uma das suas gargalhadas, que se costumam ouvir no "Bolinho", e respondeu-me com sentido de humor: "Isso também nós gostávamos de saber! Quando descobrires avisa!". Pensei: "Temos Dótora!" Nada é mais enervante que os académicos com os conceitos prontos na ponta da língua!
O primeiro momento de cumplicidade que recordo foi num dia de convívio de trabalho. Incluía um pedipaper. Começávamos a trabalhar juntas as questões de género. Resolvemos testar o conceito de conciliação da vida familiar e profissional. Levámos as filhas, bebés de carrinho, ainda. E conseguimos! É claro que os outros elementos do grupo tiveram de andar a passo de caracol, parar e segurar nos carrinhos para contornar toda a espécie de obstáculos na cidade... No final, não sei se tínhamos expandido os nossos conhecimentos sobre o Barroco, mas os nossos colegas tinham aprendido o suficiente sobre barreiras arquitectónicas urbanas...
Um dia, emprestou-me um CD, que andava a ouvir e que estava a adorar. Humanos. Gostei tanto que comprei o CD. Na altura era muito radical com as cópias... Tornou-se a banda sonora dos meses seguintes. A "Maria Albertina" a tocar em repeat lá em casa, música de eleição da minha filha. Houve um concerto no Coliseu. Não pude ir mas a colega trouxe-me um bocadinho do concerto, gravado no telemóvel. Tinha-se lembrado de mim...
A vida profissional a misturar-se com a pessoal. A criarem-se solidariedades femininas, tantas vezes náufragas do mesmo barco, a vivermos com intensidade momentos que com as exigências familiares e profissionais acrescentam um novo sentido à palavra liberdade. A queimar soutiens, a trocar confidências. A chorar, a rir, a gritar e a cantar (mais ela...), em momentos cúmplices.
As Feiras de Sant'Iago a reflectirem momentos decisivos na vida de cada uma de nós e a criarem espaço para a conversa, para a amizade. Pelo meio, organizámos espectáculos, exposições, arrumámos cadeiras, fomos camionistas, angariámos bonés para o chueco frito, escrevemos discursos políticos, fomos dirigentes associativas... Agora andamos a salvar o Planeta, contra os académicos que pretendem espartilhar o mundo em objectivos específicos e gerais, contra o status quo das organizações religiosamente politizadas...
E a acompanhar a construção desta amizade, as filhas. A crescerem e a conviverem em Festas de Pijama que reproduzem os afectos das mães. A brincarem e a inventarem a amizade. A afastarem-se para deixar respirar a relação. Dois temperamentos emotivos. Duas personalidades fortes. Cada uma no seu estilo. Com pêlo na venta!!!
Setembro de 2007. A família almoçava no restaurante do costume. A minha filha, cinco anos feitos há pouco tempo, rabiscava a toalha de papel, como de costume. Volta-se para o tio e diz: "Olha!". Tinha acabado de escrever palavras em letras garrafais, sozinha, pela primeira vez. Na toalha de papel, guardada para a eternidade, estava escrito: MARIA ALBERTINA.

LP.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

E porque jukeboxes há muitas... Lay me Low

Intro
E porque jukeboxes há muitas, desafiei um amigo a escrever um post sobre uma canção do Nick Cave, uma vez que, embora respeite muito o artista (sim, que o artista é um bom artista!), não faz, definitivamente, parte do meu imaginário musical. Espero que esta seja a primeira de muitas colaborações, com este e outros amigos que aqui queiram partilhar as suas jukeboxes.

Notas
Embora o autor não o tenha feito, tomei a liberdade de incluir o único vídeo que encontrei com esta canção. O post não vinha assinado de origem. Mantenho o anonimato do autor até ordens em contrário.

E sem mais demoras, deixo-vos com...

Lay me Low



Foi há precisamente dezassete anos que conheci Nick Cave & The Bad Seeds e foi, para mim, uma espécie de Revelação que alterou indelével e irreversivelmente o meu gosto musical. Aquele anjo negro pegou-me na mão e conduziu-me aos recantos mais profundos da alma humana, e eu segui-o como Dante seguiu o poeta. Uma descida aos abismos infernais, vagueando entre espíritos atormentados, ao som áspero das sementes ruins, de onde se eleva a voz do trovador: gutural, arrancada do peito num grito de alma que rasga a garganta para nos falar de dor, melancolia, raiva, sofrimento, provocando-nos uma inquietação profunda, visceral.
Nesta Divina Comédia somos convidados a percorrer três mundos, que se interligam: Morte, Religião e Amor. O tríptico que ele abre e nos mostra na catedral da ruína humana, dos angustiantes enganos, das paixões, do Amor não deixando de nos apresentar aquelas que ele considera as “suas pequenas e feias irmãs gémeas”: Desespero e Decepção.
Recorrendo a um conceito que aprendi há pouco tempo, através de uma amiga minha, arriscaria a dizer que Nick Cave é inspirado pelo duende, um conceito associado à expressão artística espanhola, que segundo Lorca está contido em todos os “sons negros”. Dezassete anos depois consigo aplicar um conceito que define correctamente o que senti e sinto ao ouvir Nick Cave “uma força misteriosa que todos sentimos, mas que nenhum filósofo consegue explicar”.
Das várias músicas dele, apresento-vos uma das minhas favoritas. E deixo que o poeta fale por si. Acrescento apenas que uma das duas que gostaria que fosse tocada no momento de “Lay me Low”.

They're gonna lay me low (Lay me low)
They're gonna sink me in the snow
They're gonna throw back their heads and crow
When I go

They're gonna jump and shout (Lay me low)
They're gonna wave their arms about
All the stories will come out
When I go

All the stars will glow bright (Lay me low)
And my friends will give up the fight
They'll see my work in a different light
When I go

They'll try telephoning my mother (Lay me low)
But they'll end up getting my brother
Who'll spill the story on some long-gone lover
That I hardly know

Hats off to the man
On top of the world
Come crawl up here, baby
And I'll show you how it works
If you wanna be my friend
And you wanna repent
And you want it all to end
And you wanna know when
Well do it now don't care how
Take your final bow
Make a stand Take my hand
And blow it all to hell

They gonna inform the police chief (Lay me low)
Who'll breathe a sigh of relief
He'll say I was a malanderer, a badlander, and a thief
When I go

They will interview my teachers (Lay me low)
Who'll say I was one of God's sorrier creatures
There'll print informative six-page features
When I go

They'll bang a big old gong (Lay me low)
The motorcade will be ten miles long
The world will join together for a farewell song
When they put me down below

They'll sound a fluegelhorn (Lay me low)
And the sea will rage, and the sky will storm
All man and beast will mourn
When I go

Hats off to the man
On top of the world
Come crawl up here, baby
And we can watch this damn thing turn
If you wanna be my friend
And you wanna repent
And you want it all to end
And you wanna know when
Well do it now Do it now
Take a long last bow
Take my hand Make a stand
And blow it all to hell

Lay me low...
When I go...