segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Communication Breakdown
Nunca estamos à espera. Achamos que nos conhecemos, que nos entendemos. As afinidades multiplicam-se e ficamos seguros na relação com o(s) outro(s). Entramos em modo de cruzeiro, tudo corre bem. E, de repente, sem aviso prévio... communication breakdown!
Alô?!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Conversa e Cappuccinos
Noites tranquilas. Conversa e cappuccinos. Ensaios e teorias sobre o futuro. Eu iria para África, era certo. Ele para o Alentejo. Revíamos todos os passos em direcção a esses futuros que seriam brilhantes, perfeitos, realizados. A conversa fluía como água. O estado do mundo, da humanidade. Teorias de caos e de ordem. A informação que trazíamos da academia e da rua desmistificada, analisada, criticada.
Diferentes em quase tudo o que seria mais superficial, rapidamente percebemos que reuníamos afinidades importantes e profundas. O mesmo signo e um certo respeito mútuo que nos fez sempre parar ao sentir que a fera estava prestes a saltar de dentro de nós. Mas mais do que tudo, o humor, a teatralidade. A cumplicidade na forma de caricaturar tudo à nossa volta.
Curiosamente, pensei escolher a OST do "África Minha" para musicar este texto. Nas tais noites de conversa e cappuccinos, era banda sonora habitual. Mas depois lembrei-me "da nossa canção". Só podia ser esta!
Continuamos amigos. Ele não foi o Alentejo, eu não fui para África. Os nossos presentes fazem-se de momentos brilhantes, perfeitos, realizados.
Passeio
Fui passear até outras paragens, a convite de uma amiga...
http://pachadrom.blogspot.com/2009/02/v-de-viuva.html
http://pachadrom.blogspot.com/2009/02/v-de-viuva.html
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Amor Organizado
Entrámos no carro e o rapaz do cabelo cor de fogo disse - "oiçam esta, é para vocês!". A canção era " A change would do you good" da Sheryl Crow. Fiquei zangada porque sabia que a minha vida nessa altura precisava de grandes mudanças e eu não andava para aí virada. Nunca lhe disse que ele tinha razão nem que esse pequeno momento ficou gravado na minha memória. Também nunca lhe disse que esse álbum que me acompanha desde então. "Sheryl Crow" da Sheryl Crow... Um momento de genialidade. Um álbum incrível, que descubro cada vez que oiço.
Hoje fui buscá-lo porque me apeteceu ouvir o "Hard to make a stand". Uma grande verdade que, de repente, me fez tanto sentido...
Se a minha área de trabalho é naturalmente complicada porque lida apenas e só com pessoas, a organização que me "enquadra" é um colectivo esquizofrénico que não entende conceitos tão simples e essenciais como o respeito ou a dignidade. Descubro a cada dia a impossibilidade de me realizar enquanto "enquadrada" desta forma. E novamente me surge a imagem do rapaz com o cabelo cor de fogo... " A change would do you good"!
Talvez esteja na minha hora de mudar, novamente...
Quis escrever sobre o que sentia e ao procurar vídeos da Sheryl, encontrei este lindíssimo "Redemption Day" ao vivo e reparei na frase projectada na tela do palco:
- "That's all nonviolence is - organized love" - Joan Baez -
Amor organizado... tenho que o encontrar. Aqui e agora nem o vislumbro. Está na altura de mudar.
domingo, 25 de janeiro de 2009
E porque jukeboxes há muitas... Purple Stain
Intro
E porque jukeboxes há muitas, deixo-vos com... Purple Stain. É dedicado a uma homónima com quem partilho mais do que o nome. É nos momentos mais difíceis que a música cumpre o seu papel mais extraordinário, mostrando-nos que não estamos sós e que, apesar de tudo, haverá sempre um amanhã, diferente, melhor.
Primeiro ano da Faculdade. A desvendar-nos os mistérios da Psicologia Experimental, um Cromo de cabelos encaracolados compridos, ar tresloucado, que sempre suspeitámos deixar às leis do acaso, pouco científicas, a atribuição das notas. Suspeição que confirmei quando recebi a nota da segunda frequência. Tinha passado, quando esperava um falhanço rotundo!!! A minha estrelinha por uma vez a beneficiar-me...
Deste Professor, além da pauta das notas, lembro-me dos exemplos com que nos explicava correlações, análises de clusters, métodos quase-experimentais... Surreais todos eles! Nos acetatos, macacos pendurados em gráficos, cenouras que cresciam mais ou menos em função da humidade do ar, pombos que depenicavam bagos de milho consoante a hora do dia e o entusiamo das pessoas nos espectáculos dos Red Hot Chili Peppers dependente da variável "número de encores", e por aí em diante...
Por isso, durante algum tempo, os Red Hot foram para mim qualquer coisa do imaginário de um Cromo criativo, e com os quais perdia noites de sono a tentar descodificá-los para passar à maldita cadeira. Quando descobri que existiam mesmo fiquei surpreendida! Afinal o meu Professor era deste planeta! Quando os vi pela primeira vez na televisão e olhei para a figurinha do vocalista, percebi a correlação entre aquele Cromo e o grupo: positiva e altíssima!!!
Alguns anos depois oferecem-me "Californication". Não conseguia passar da faixa 3, "Scar Tissue". A guitarra no início hipnotizava-me. Depois ouvi o resto. Com prazer.
Muito tempo depois, uma festa na minha casa. Memorável. A Cat sentada no chão da minha sala, rodeada de caixas de cds por todo o lado, a rosnar a quem se atrevesse a interferir na sua tarefa de DJ da noite. O ar de felicidade absoluta ao descobrir, no meio daquele inferno drunfa, o Californication. A dizer-me: "tu tens aqui um álbum muito bom!!!". E virou e revirou a caixa, com carinho, senti... (e algum alívio, provavelmente a pensar ainda há esperança naquela rapariga...)
O tempo passou novamente. Em tempos tristes e dificeis aconteceu-me a vontade de ouvir qualquer coisa mais "violenta". Lembrei-me do Californication. A tocar no carro. Transformou-se numa das muitas estratégias que tive de inventar para comunicar com uma adolescente. Ofereci-lhe o CD. O meu.
E o meu contributo hoje para esta Jukebox comunitária é o "Purple Stain", a música preferida de uma miúda de 12 anos, homónima de uma outra miúda com mais alguns. Preferida só porque gosta da "voz dele no início"...
La Payita
E porque jukeboxes há muitas, deixo-vos com... Purple Stain. É dedicado a uma homónima com quem partilho mais do que o nome. É nos momentos mais difíceis que a música cumpre o seu papel mais extraordinário, mostrando-nos que não estamos sós e que, apesar de tudo, haverá sempre um amanhã, diferente, melhor.
Primeiro ano da Faculdade. A desvendar-nos os mistérios da Psicologia Experimental, um Cromo de cabelos encaracolados compridos, ar tresloucado, que sempre suspeitámos deixar às leis do acaso, pouco científicas, a atribuição das notas. Suspeição que confirmei quando recebi a nota da segunda frequência. Tinha passado, quando esperava um falhanço rotundo!!! A minha estrelinha por uma vez a beneficiar-me...
Deste Professor, além da pauta das notas, lembro-me dos exemplos com que nos explicava correlações, análises de clusters, métodos quase-experimentais... Surreais todos eles! Nos acetatos, macacos pendurados em gráficos, cenouras que cresciam mais ou menos em função da humidade do ar, pombos que depenicavam bagos de milho consoante a hora do dia e o entusiamo das pessoas nos espectáculos dos Red Hot Chili Peppers dependente da variável "número de encores", e por aí em diante...
Por isso, durante algum tempo, os Red Hot foram para mim qualquer coisa do imaginário de um Cromo criativo, e com os quais perdia noites de sono a tentar descodificá-los para passar à maldita cadeira. Quando descobri que existiam mesmo fiquei surpreendida! Afinal o meu Professor era deste planeta! Quando os vi pela primeira vez na televisão e olhei para a figurinha do vocalista, percebi a correlação entre aquele Cromo e o grupo: positiva e altíssima!!!
Alguns anos depois oferecem-me "Californication". Não conseguia passar da faixa 3, "Scar Tissue". A guitarra no início hipnotizava-me. Depois ouvi o resto. Com prazer.
Muito tempo depois, uma festa na minha casa. Memorável. A Cat sentada no chão da minha sala, rodeada de caixas de cds por todo o lado, a rosnar a quem se atrevesse a interferir na sua tarefa de DJ da noite. O ar de felicidade absoluta ao descobrir, no meio daquele inferno drunfa, o Californication. A dizer-me: "tu tens aqui um álbum muito bom!!!". E virou e revirou a caixa, com carinho, senti... (e algum alívio, provavelmente a pensar ainda há esperança naquela rapariga...)
O tempo passou novamente. Em tempos tristes e dificeis aconteceu-me a vontade de ouvir qualquer coisa mais "violenta". Lembrei-me do Californication. A tocar no carro. Transformou-se numa das muitas estratégias que tive de inventar para comunicar com uma adolescente. Ofereci-lhe o CD. O meu.
E o meu contributo hoje para esta Jukebox comunitária é o "Purple Stain", a música preferida de uma miúda de 12 anos, homónima de uma outra miúda com mais alguns. Preferida só porque gosta da "voz dele no início"...
La Payita
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
E porque jukeboxes há muitas... Capitão Romance
Quando a Cat me pediu para fazer um post neste blog, e sugeriu o nome Ornatos, senti uma identificação imediata com o tema. Por vários motivos... Porque os Ornatos são uma das minhas bandas favoritas. Porque foi através da Catarina que eu comecei a prestar mais atenção a esta banda do Porto.
Tenho muitas referências da música dos Ornatos, mas há uma que me vem automaticamente à cabeça...
Verão de 2002, os Sons de Cá estavam num momento alto da sua carreira com a formação da altura, na qual eu era guitarrista. Pela mão de um certo produtor fomos parar ao palco Optimus do Festival Vilar de Mouros. Para nós era uma oportunidade única... Uma energia enorme corria-nos nas veias, fruto de um sonho que ia rompendo pela realidade.
Lembro-me de um grande concerto e de sairmos com a sensação de que tínhamos dado mais um sólido passo na concretização dos nossos sonhos... Depois do concerto vagueámos juntos, ébrios de emoção... Lembro-me de um vinho verde, que saboreámos como se nunca tivéssemos provado nada assim. Durante esses momentos, no Palco principal, rodava um dos melhores álbuns de sempre da música portuguesa.
Comemos, bebemos, rimos e ligamo-nos ao som daquele disco.
Momento especial, música especial.
Lembro-me especialmente de ter sentido este tema.
... Algum tempo depois, tive o prazer de conhecer e tocar com o Elísio Donas, e de lhe dizer que, por estas e outras histórias, a música deles já não era só deles, mas que me pertencia a mim e a muitos outros (acho que ele gostou de ouvir...).
Pedro
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Do outro lado do espelho
E do outro lado do espelho...
Believe - K's Choice
Bravely I look further than I see
Knowing things I know I cannot be, not now
I'm so aware of where I am, but I don't know where that is
And there's something right in front of me and I
Touch the fingers of my hand
And I wonder if it's me
Holding on and on to Theories of prosperity
Someone who can promise me
I believe in me
Tomorrow I was nothing, yesterday I'll be
Time has fooled me into thinking it's a part of me
Nothing in this room but empty space
No me, no world, no mind, no face
Touch the fingers of my hand and tell me if it's me
Holding on and on to Love, what else is real
A religion that appeals to me, oh
I believe in me
Can you turn me off for just a second, please
Turn me into something faceless, weightless, mindless, homeless Vacuum state of peace
On and on and on and on and on and on and on and on
I believe in me
On and on and on and on and on and on and on and on
I believe in me
Wait for me, I'm nothing on my own
I'm willing to go on, but not alone, not now
I'm so aware of everything, but nothing seems for real and
As long as you're in front of me then I'll
I watch the fingers of our hands
And I'm grateful that it's me
Holding on and on and on and on and on and on and on and on and on and on
I believe in me
I'm willing to go on but not alone, not now
I'm so aware of everything
Believe - K's Choice
Bravely I look further than I see
Knowing things I know I cannot be, not now
I'm so aware of where I am, but I don't know where that is
And there's something right in front of me and I
Touch the fingers of my hand
And I wonder if it's me
Holding on and on to Theories of prosperity
Someone who can promise me
I believe in me
Tomorrow I was nothing, yesterday I'll be
Time has fooled me into thinking it's a part of me
Nothing in this room but empty space
No me, no world, no mind, no face
Touch the fingers of my hand and tell me if it's me
Holding on and on to Love, what else is real
A religion that appeals to me, oh
I believe in me
Can you turn me off for just a second, please
Turn me into something faceless, weightless, mindless, homeless Vacuum state of peace
On and on and on and on and on and on and on and on
I believe in me
On and on and on and on and on and on and on and on
I believe in me
Wait for me, I'm nothing on my own
I'm willing to go on, but not alone, not now
I'm so aware of everything, but nothing seems for real and
As long as you're in front of me then I'll
I watch the fingers of our hands
And I'm grateful that it's me
Holding on and on and on and on and on and on and on and on and on and on
I believe in me
I'm willing to go on but not alone, not now
I'm so aware of everything
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